28 de março de 2016

Zoeira na História: A Mão e o Martelo de Thor.




Após apresentá-los ao famigerado T28 Super Heavy Tank, temos agora o Fat Family dos tanques pesados americanos, os Heavy Tanks da Série T: T29, T30 e o T34.


Introdução


Por volta de 1944, o Exército Americano, precisa de uma linha de nova de tanques pesados para enfrentarem os novos tanques pesados Nazista, nessa época o tanque médio em serviço era o T26E3, conhecido como M26 Pershing, era o que se tinha de mais pesado com cerca de 45 toneladas, não tinha blindagem e nem poder de fogo suficiente para enfrentar o Tiger II, que passava das 70 toneladas. No entanto quando o projeto do T29 tomou forma e tamanha a Guerra na Europa já havia terminado, mas seu projeto abriram novos caminhos para os engenheiros do pós-guerra em novas possibilidades. 

T29




Esse primeiro modelo de tanque pesado foi baseado no chassi do T26E3, aumentando seu comprimento e com uma blindagem mais espessa, possuía um motor da Ford de 650 hp proporcionando uma velocidade de 35 km/h. Tinha uma blindagem frontal de 279 mm e um canhão 105 mm, o projeto do T30 rolou paralelo ao do T29, mas vou falar mais adiante dele.
Na sua torre ele possuía lentes binoculares (coincidence rangefinder), uma de cada lado da torre, dando um aspecto de torre de navio, isso mesmo aquelas caixas de cada lado da torre tinham função!



T30



Não importa o que ouça, o T30 é um tanque pesado, e não um caça-tanque. Assim como o T29, o T30 foi desenvolvido para combater o Tiger I, Tiger II e o Jagdtiger, assim como os equivalentes soviéticos IS-1 e o IS-2.
O projeto do T30 correu paralelo ao do T29, só que com uma canhão de 155 mm L 40 / T7E1 de alma raiada, seu projeto foi iniciado em Abril de 1944 e entregue em 1947, uma observação: o T30 foi equipado com o maior canhão já colocado em um blindado americano a torre foi modificada para acomodar o mesmo. O T30 teve duas variações T30E1, com um sistema automático de carregamento e uma escotinha foi adicionada na torre para ejeção do cartucho, infelizmente esse sistema aumentava muito sua taxa de incêndio para a cada dois disparos e o T30E2 (sem informações dessa variante).




T34



Carece um pouco de informação sobre esse blindado, mas ele é uma variante direta do T29, na verdade o modelo produzido é um T29 adaptado para acomodar um canhão antiaéreo de 120 mm, isso mesmo o T34 tem um canhão antiaéreo (T53 120mm) com uma taxa de tiro de 5 disparos por minuto. Os estudos e projetos do T34 serviram de base para a construção do M103 Heavy na década de 1960.





Galeria de fotos:



T29 - Em teste.














T29 no Museu Patton













T30 - Teste em Maio de 1948














T30

















T34 em testes











T34




















#GlaucioGomes



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Glaucio é editor/administrador da FanPage Regimento de Blindados Osório e o mais novo colaborador do Zoeira de Guerra. fb.com/regimentoosorio



21 de março de 2016

Zoeira na História: O Verdadeiro Adversário do MAUS

T28 Super Heavy Tank

Ao contrário do que muitos dizem por ai, o T28 foi um Super Heavy Tank e não um caça-tanques, concebido na intenção de ser usado para romper a Siegfried Line, a linha de defesa alemã, e posteriormente foi cogitado para ser usado pelo EUA como força invasora no Japão. Possuía aproximadamente 100 toneladas.

No início de seu projeto ele tinha o nome de T28, 1944, mas como o veículo era único em sua época, não possuía torre giratória, foi ordenado a troca de seu nome para 105mm Gun Motor Carriage T95, em 1945, mas devido ao seu peso, blindagem e o tipo de canhão foi novamente rebatizado de Super Heavy Tank T28, junho de 1946, registo OCM 37058.

Designação 


Projetado para ser a ponta de lança do avanço das tropas Aliadas na Alemanha, seu armamento foi selecionado pela alta penetração em concreto armado dos Bunkers de Hitler, mas infelizmente entre a aprovação do projeto e a construção dos primeiros protótipos, a guerra já havia terminado. Inicialmente seu projeto de 5 anos foi reduzido para 2 anos.

Seu principal armamento era um canhão T5E1 de 105mm com elevação de 19,5º, depressão de -5º, 10º para direita e 11º para esquerda e uma .50 como armamento secundário.



Somente dois protótipos foram construídos e submetidos a teste em 1947, mas um dos protótipos foi fortemente danificado em um incêndio no seu motor, desmontado e enviado para sucata. O outro protótipo ficou perdido e foi descoberto em 1974, abandonado em um galpão em Fort Belvoir, Virgínia.

O Projeto



A super estrutura do T28 foi baseada em um T23, sua produção era de 5 veículos de uma vez, totalizando 25 veículos no prazo de 5 anos. Para amenizar a pressão do peso no solo, o projeto previa um upgrade de esteiras, que foi integrada no veículo, o kit era removível para transporte e poderia ser rebocado pelo próprio veículo. Contudo havia limitação, devido seu peso e a baixa potência de seu motor, o T28 não poderia transpor a maioria dos obstáculos e não poderia utilizar as pontes portáteis fabricadas na época, inviabilizando seu uso na Europa.



O T28 não possuía torre, então tinha um perfil baixo e uma enorme bola de aço que ficava na base do canhão como mantelete, seu canhão podia disparar um projétil a 1.130 m/s com o alcance de 19 km. A sua blindagem era muito espessa para os tanques da época, uns 305mm na parte da frente era forte o suficiente para aguentar o tiro do canhão de 88mm alemão. A parte de baixo na frente tinha 130mm e suas laterais 64mm, suas saias laterais tinham 100mm de espessura aumentando a proteção nas esteiras. O motor a gasolina gerava 500 HP, dando uma velocidade de 13 km/h. Em 1947, o Exército americano decidiu cancelar o projeto deste tipo de veículo para darem prioridade ao T29 e o T30, mas isso já é outra história para vocês...

Na minha opinião esse sim seria o verdadeiro adversário do MAUS.  

Galeria:
Algumas fotos do Super Heavy Tank durante seus teste






Atualmente em exposição no Fort Benning, Georgia.


#GlaucioGomes 

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15 de março de 2016

Zoeira na História: A série E de Hitler



Entwicklung, ou como é conhecido E-Séries, foi uma série de projetos de veículos blindados padronizados da Alemanha Nazista.


Comparação dos tamanhos dos blindados da série E

 Haviam 6 categorias de veículos diferentes divididos em pesos. Os blindados da Série E eram mais baratos, simples de se produzir e mais eficientes que seus antecessores. No entanto, havia pouca mudança significativa dos veículos produzidos, na verdade os veículos da Série E, até o E-75, eram variações do Tiger II.

Os veículos a serem produzidos eram: E-5, E-10, E-25, E-50
Standardpanzer, E-75 Standardpanzer e E-100

 

E-5


Era o mais leve, com aproximadamente 5 - 10 toneladas, era a base do veículos da Série E. Com a função de reconhecimento, seu design era baseado no Jagdpanzer bem ao estilo de um caça-tanque. 


Nenhuma das fotos oficiais confirmaram sua produção, acredita-se que tenho sido apenas um projeto sem um modelo inicial.

        

E-10

Desenvolvido para substituir o Jagdpanzer 38 (t), os modelos deste novo chassi estariam na categoria de 10 - 25 toneladas. O E-10 possuía um novo sistema de suspensão e rodas em aço para fácil remoção e reparos. Seu sistema de suspensão foi mais tarde usado no Panzer 61 suíço (década de 1960). A intenção desse projeto era construir pequenos e leves caça-tanques. Seu projeto foi abandonado por uma melhoria do Jagdpanzer 38 (t) que recebeu o nome de PzKpfw 38 D.
    
         

 

 

E-25

 
Os E-25 estão na categoria de 25 - 50 toneladas e seriam os substitutos dos Panzer III e Panzer IV, produzidos em parceria com a Porsche Inc. Esta categoria incluía veículos de reconhecimento médio e pesado. Como armamento, levava um canhão de 75mm Pak 42 L / 70 e uma possível MG em uma pequena torre.

   

E-50 Standardpanzer













Concebido como um blindado médio padrão, substituiria os Panther e Tiger I. A principio seu chassi seria idêntico ao do Tiger II em dimensões, mas com uma grande diferença na montagem das placas, usando menos rebites, parafusos e reduzindo pontos de soldas. Seu projeto indica que seria usado o mantelete da torre do Panther Ausf. juntamente com um canhão de 88mm 43 L/71. Seu peso estaria na categoria de 50 - 75 toneladas.

        



E-75 Standardpanzer

Versões do E-75


O E-75 foi projetado para ser o veículo pesado padrão e substituiria o Tiger II e o Jadgtiger. Teria a mesma linha de produção do E-50 afim de facilitar sua linha de produção. Assim ambos os veículos teriam muitos aspectos e componentes compartilhados, como o motor. Estaria na categoria de 75 toneladas e teria uma velocidade de 40 km/h para compensar o aumento do peso em relação ao E-50. Fontes indicam que os dois veículos teriam o mesmo canhão o 88mm 43 L/71. Estes veículos seriam os primeiros a usar a primeira versão da iluminação infravermelha inventada por cientistas alemães e usadas no Panther Ausf. F.



E-100 

 
Baseado em seu antecessor o Tiger-Maus, o E-100 utilizou partes do projeto do mesmo, como a torre do Maus. O E-100 foi concebido para ser um SuperPesado que iria substituir o projeto de Porsche, o Maus. A construção do E-100 começou em 1944 mas foi ordenado seu cancelamento e seus operários realocados para a produção do Maus. A torre do E-100 é baseada na do Maus II, atualização do Maus, onde teria uma canhão 128 milímetros KwK 44 G / 55 e teria uma blindagem de 240 - 40 mm e alguns estudos indicam que o E-100 teria uma versão com o canhão de 15 centímetros KwK 44 L / 38. 


Somente o chassi do E-100 foi produzido, mas logo depois da guerra foi levado para o Reino Unido, analisado e logo depois  desmanchado para reaproveitamento do metal.

 

 

 

A Evolução

Após a Guerra, a França  reutilizou alguns projetos da série E, como o excelente motor 1000HP Maybach, para a criação do AMX-50. Já os suíços usaram a suspensão do E-50 e E-75 no Panzer 61. 
































#GlaucioGomes 

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22 de fevereiro de 2016

Zoeira na história : A TD de Otto Carius



A galera votou e aqui está! Vamos falar de um dos melhores DPMs do World of Tanks, de sua  camuflagem #OP e do chassi RIDICULAMENTE blindado vindo de um Tiger II. Senhores lhes trago o Jagdtiger!


Jagdtiger pertencente ao US Army Ordnance Museum (2007)

Também chamado de Panzerjager Tiger ausf. B, é mais conhecido mundialmente por ser o blindado comandado por ninguém menos que Otto Carius. O Jagdtiger fez sua história assim como a maioria das máquinas alemães de combate: 
A precisão, os engajamentos à longuíssima distância, o medo dos inimigos e claro, os problemas com motor e mecânica. Aliás, se não der problema, não é um blindado alemão.


3 Rs : Reutilizar, reciclar e... rearmar?


A tradição dos caça-tanques alemães vem com um número significativo de baixas para veículos perdidos em batalha, foi assim com Hetzers, Stugs III/IV, até mesmo com o Jagdpanther. E o que estes veículos tem em comum? Simples: a ausência de torre. Essa foi uma estratégia para corte de gastos e aceleração de produção mesmo com canhões de alto calibre. Então, no dia 18 de maio de 1942, vendo os testes com o canhão de Pak 44 L/55 de 128 mm da Krupp , Hitler viu que a porcentagem de acertos era incrível e designou que esse canhão seria voltado para a destruição de blindados e não para apoio de infantaria, como assim fora ajustada anteriormente.


Pak 44 L/55 de 128 mm da Krupp



Hans, isso não cabe ai!

Planta de produção do Jagdtiger em 1945
Em 1943, obviamente por determinação do Führer, houve uma tentativa de se montar o canhão de 128mm em Panthers ou Tigers I, ideia que logicamente não deu certo. Então foi tentado com o "maior" caça tanques da época: o Ferdinand/Elephant. Mais um fiasco pois mesmo assim não era espaçoso suficiente. Porém logo após essas tentativas frustradas e com o avanço do projeto do Tiger II, foi possível a criação de um protótipo em madeira, usando o chassi com uma superestrutura fixa com as laterais ajustadas ao chassi do blindado, mas com a blindagem da placa frontal com notáveis 250mm em aço naval! Com o design aceito e testes (mal)feitos, entra em produção em massa a partir de 1944 com a demanda inicial de 150 veículos.

Trivia: Adolf Hitler era notório por suas determinações que causavam problemas aos engenheiros nazistas, a exemplo dos titânicos Landkreuzer P. 1000 Ratte e Landkreuzer P. 1500. O Führer também tinha aspirações arquitetônicas e junto com Albert Speer, o "arquiteto do Reich", projetaram o que seria chamado de "Germânia, a capital do mundo".



Tentando fazer dar certo

Protótipo do Jagdtiger com canhão 88mm Pak 43
Mesmo com a intenção de 150 veículos de produção inicial, o objetivo nunca foi atingido pela escassez de material e mão de obra da época. Mesmo assim tanto a Henschel como a Porsche produziram o veículo com algumas diferenças distintas. Ferdinand Porsche reutilizou a suspensão do Ferdinand/Elephant no Jagdtiger mas o barato acabou saindo bem caro. O peso era demais para a suspensão por barras de torção, quebrando assim diferenciais e amortecedores do veículo. Com o outro lado não fora diferente já que Henschel projetou uma suspensão aguentava o veículo porém o diferencial era fraco e quebrava com facilidade em manobras bruscas. 


Jagdtiger com chassi da Porsche




De fato era um veículo muito "sentimental" uma vez que quebrava com frequência e o arco horizontal era limitado, sendo necessário o ajuste pela rotação do veículo em diversos terrenos. O mais interessante é que sim, alguns modelos vieram com a 88mm de alta velocidade, porém só ao fim da guerra e nenhuma variante viu combate ou tampouco sobreviveu ao tempo.






Trivia: Otto Carius foi rejeitado duas vezes pelo Exército Alemão. Foi convocado logo após o começo da Segunda Guerra e designado para infantaria. Em 1943 entrou para as divisões Panzer e logo após ser gravemente ferido em 1945, assumiu o comando do lendário Jagdtiger destruindo mais de 150 blindados inimigos. Otto faleceu em janeiro de 2015 no interior da Alemanha, aos 92 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grande, lento, frágil e beberrão


Achar registros de batalha desse veículo não foi uma tarefa tão árdua como a maioria dos blindados que tratamos aqui. Grande parte dos registros foram encontrados juntamente com o diário de guerra dos comandantes das divisões dos Jagdtiger's pouco após suas respectivas rendições. O blindado viu ação no fim da guerra em setembro de 1944, data onde chegariam os primeiros veículos nas unidades blindadas alemãs, sendo apenas duas: Batalhão de Caça-tanques Pesados n°512 e n°653.

Em batalha, apenas 20% das unidades fabricadas e mandadas para combate foram abatidas por fogo aliado, todo o restante foi desativado pela própria tripulação por falhas mecânicas ou até mesmo falta de combustível!


Americanos inspecionando um Jagdtiger abandonado após quebra das esteiras


Otto Carius, comandante de uma destas divisões deixa bem claro no seu livro "Tigers in the mud", que o blindado não fora utilizado em seu potencial total, uma vez que a moral nazista e a inexperiência das tripulações acarretavam uma série de erros com o veículo. Além disso, os blindados sofriam com a supremacia aérea dos aliados ao fim da guerra.

Trivia: O batalhão n° 512 teve uma Jagdtiger abatida por um Panzerfaust (lança-foguete precursor do RPG-7)  disparado por seu próprio exército, pois estes nunca teriam visto um Jagdtiger na vida e pensaram ser um blindado aliado. 


Ok Hanz! Meu chucrute anda com uma 128mm e daí ?!


E daí é que o monstro REALMENTE COLOCAVA MEDO! O Jagdtiger era muito raro de ser visto em combate, porém, quando visto, as tripulações de tanques aliados saiam e abandonavam os seus blindados já que o 128mm poderia penetrar todas as blindagens de qualquer inimigo que se encontrasse em sua direção. Mesmo que em combate, a cada Jagdtiger destruído, uma coluna completa de blindados aliados (principalmente Shermans e Pershings) teria o mesmo destino. Até mesmo bunkers foram completamente destruídos por Jagdtigers. Os números são impressionantes: Antes de se renderem, de acordo com os diários dos comandantes, cada divisão possuía em média 12 blindados aliados abatidos, sem contar os veículos de transporte de infantaria e canhões anti-tanque.

Diante disso, é certo que o Jagdtiger realmente tinha potencial de se tornar uma arma decisiva para a Wehrmacht e que poderia ter mudado nos rumos da Guerra. Porém foi introduzido muito tarde e esse foi o principal fato que o impediu de ser significativo para a Alemanha. Mesmo os erros de projeto, os problemas de logística e as falhas mecânicas poderiam ter sido revisados se houvesse mais tempo, o que os alemães não tinham na época.









 


 












 Alguns padrões de camuflagem do Jagdtiger em 1945


Isso é uma parte da história desse caça-tanques que virou um ícone de uma força alemã fracassada e o desejo de muitos jogadores de World of Tanks. Fico por aqui e até a próxima!

#ThirdShotCharm


13 de janeiro de 2016

Zoeira na História: A cobra vai fumar!


Como entusiasta desde sempre sobre a Segunda Grande Guerra, sempre achei que a participação do Brasil na WW2 nunca foi abordado com o devido respeito e profundidade nas escolas, apesar da relevância dos fatos e das centenas de curiosidades acerca. Então esse Zoeiro aqui se sente na obrigação de falar mais sobre as "Cobras Fumantes"!

Até Walt Disney aderiu ao apelido das "Cobras Fumantes"

Getúlio: O ditador neutro.

Na época o país era comandado por Getúlio Vargas. Apesar do regime autoritário, que conferiu o presidente com o estigma de ditador, o posicionamento condicional do país era de neutralidade. O Brasil manteve os pés fora do conflito mundial até as últimas circunstâncias. Na época, por volta de 1937, o Brasil tinha afinidade com os governos autoritários que integravam os chamados Países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

O Brasil na Segunda Guerra Mundial 2
Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt em Natal, Rio Grande do Norte, 1943.

Foi só após uma série de bombardeios contra navios brasileiros, quando submarinos alemães atacaram embarcações no Oceano Atlântico, que uma mobilização pública pressionou o governo a entrar no conflito, cobrando severamente uma postura clara contra os Países do Eixo. Em agosto do mesmo ano o Brasil declarou guerra às potências totalitaristas.



O Brasil na Segunda Guerra Mundial 3
Desembarque dos pracinhas brasileiros na Itália.
Segundo Ferdinando Palermo, um veterano brasileiro da 2° Guerra, muitos dos soldados convocados tinham problemas de dentição e antes de ingressarem no Exército jamais tinham calçado um sapato na vida. Ao mesmo tempo em que eram negados à eles direitos básicos como cidadãos, a Nação não hesitou em enviá-los para batalhar em seu nome. Vale ressaltar, inclusive, que a ideia inicial era enviar 100 mil militares brasileiros para a guerra, mas o contingente acabou sendo reduzido para pouco mais de 25 mil homens.







O significativo corte nos números de combatentes convocados aconteceu devido ao pente fino feito nas avaliações médicas e no sistema de apresentação voluntária. Segundo Vagner Camilo Alves, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF, esse fato retratou o grau de atraso do Brasil na época. Com 70% da população vivendo no campo, a maioria analfabeta, o país teve dificuldade de preencher propriamente uma só divisão de batalha.


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 4
Soldados da FEB sendo saudados por moradores de Massarosa, Itália, 1944.

"Foi à guerra dos caipiras e cablocos," disse o também veterano, ex-soldado da FEB, Victório Nalesso. "Todos corajosos. A maioria vivia nas roças, longe das cidades que não eram tão grandes como hoje. Gente de todo interior de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul."



A cobra fumou!

Os "pracinhas FEB", como eram conhecidos os soldados brasileiros, provavelmente receberam esse nome porque grande parte dos combatentes eram muito jovens. (Praça é o termo usado para denominar um militar inexperiente.)

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Soldados alpinos fascistas italianos capturados pelos brasileiros aguardam para serem interrogados em Viareggio, Itália, 1944 (Gli eroi Venuti dal Brasile).

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Foto icônica que estampou a revista Cruzeiro do Sul

Quando foi dada a notícia de que os combatentes brasileiros pegariam em armas para combater os alemães, muitas reações pessimistas foram proclamadas. A expressão popular "a cobra vai fumar," inclusive, surgiu após esse período da história. Na época era comum dizerem "é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra."





















Apesar de muitos desacreditarem, durante as batalhas que participaram, os militares brasileiros renderam cerca de 14 mil soldados alemães, honrando o símbolo que criaram como criativa resposta a essa desconfiança: um emblema de uma cobra fumando um cachimbo.

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Gringos com brasileiros


Comandada pelo general Mark W. Clark, a FEB (Força Expedicionária Brasileira) integrou o 5° Exército Americano. Além da FEB, a FAB (Força Aérea Brasileira) também batalhou no front italiano. A missão brasileira era de auxiliar o 5° Exército Americano e o 8° Exército Britânico a ultrapassar a Linha Gótica, a última grande linha de defesa nazista na Europa, situada nos Montes Apeninos, na Itália.

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Acampamento de soldados do 2° Escalão da FEB (Arquivo Diana Oliveira Maciel).



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O Comando das Forças Aliadas na Itália examina as operações conduzidas pela FEB (Arquivo do Exército Brasileiro).

Se essa linha não tivesse sido pressionada com a ajuda dos brasileiros, os alemães poderiam mover suas tropas pra qualquer lugar. Era somente atravessando a Linha Gótica que os aliados teriam acesso à Bologna e ao Vale do Rio Pó. A partir daquele ponto a chegada até o centro da Europa seria facilitada. A Linha Gótica era a última grande linha de defesa nazista na Europa. Ter destruído essa linha foi um dos fatores favoráveis a invasão na França.

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Enfermeiras Brasileiras com soldados da Força Expedicionária Brasileira em uma avião da FAB.



Último confronto: missão cumprida!

O último confronto da FEB foi motivo de honra para os combatentes depois de tantas dificuldades. Os FEBs perseguiram a 148ª Divisão de Infantaria do Exército Alemão desde a batalha de Collecchio, vencida por eles dias antes. Os nazistas acabaram cercados pelos soldados brasileiros. O comandante alemão, general Otto Fretter-Pico só se entregou depois das ordens de Berlim. No dia 29 de abril, 14.779 alemães se tornaram prisioneiros dos brasileiros. A rendição da divisão inteira alemã foi o desfecho perfeito da atuação dos brasileiros no front. Após esse feito, a missão brasileira na  guerra havia chegado ao fim, mesmo que ela tenha terminado oficialmente apenas com a rendição japonesa em setembro de 1945.



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Movimentação da Força Expedicionária Brasileira na Itália (Arquivo do Exército Brasileiro)


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Tropas brasileiras em Monte Castelo


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O General Otto Freter, comandante da 148ª divisão alemã, apresentando a rendição de sua tropa ao General brasileiro Zenóbio da Costa (Arquivo do Exército Brasileiro).


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 13
Prisioneiros da 148º Divisão de Infantaria alemã, sob controle da FEB (Gli eroi Venuti dal Brasile)


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 14
Soldados brasileiros nos Apeninos, em pleno inverno, posicionados contra as linhas de defesa alemãs (Horácio Coelho).


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Tropas brasileiras em movimentação nos arredores de Montese (Ten. Cel. Manoel Thomaz Castello Branco).


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 16
Ponto conquistado nos Alpeninos defendido pela Força Expedicionária Brasileira com metralhadoras.


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 17
Um blindado M-8 do Esquadrão de Reconhecimento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária entra em Montese.


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 18
Evacuação de feridos após a conquista de Montese pela FEB (Marechal Floriano de Lima Brayner).


O Brasil na Segunda Guerra Mundial 19
Soldado aliado vigia com uma carabina prisioneiros alemães após o término da guerra na Itália 


E aqui chego ao final desse pequena viajem ao que o Brasil fez na Segunda Guerra Mundial. Existe muito mais pra explorar por isso indico alguns links abaixo pra que vocês também possam saber mais o que a escola não conta.

Qapla'
#alegetbrz


fontes:
http://www.historiailustrada.com.br/2014/04/fotos-raras-brasil-na-segunda-guerra.html
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/especiais/pracinhas-na-segunda-guerra/adeus-italia-adeus-pracinhas.jpp
http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/como-foi-participacao-brasil-segunda-guerra-mundial-495726.shtml
http://noticias.terra.com.br/brasil/brasil-segunda-guerra-mundial/