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2 de janeiro de 2016

Zoeira na História : Retículas e cálculos da mira de um tanque.

Mira do M4A3E8 de Fury  - Mira utilizada por Bible
Durante a Segunda Guerra Mundial nada mais era tão confiável que a FÍSICA, uma vez que não tinham munições guiadas a laser ou qualquer outro tipo de parafernália eletrônica e elétrica. 

Os atiradores dos blindados, sejam eles britânicos, russos e até os ases alemães, não disponibilizavam de nada mais que uma arma enorme alinhada a uma mira telescópica que era um furinho na torre. 

Então hoje vamos saber mais como esses heróis miravam e como eram calculados a precisão de seus blindados, evitando assim que não fossem como aquele teu colega de pelotão que é mais cego que o Stevie Wonder.



Escalas de uma mira:

Para entendermos como é que se davam os disparos, vamos observar uma das mais simples miras que eram encontradas em blindados de baixo calibre e é semelhante a mira utilizada no jogo War Thunder. 



Na retícula de mira encontramos duas escalas, uma horizontal e uma vertical, sendo elas:
Horizontal: Mil dots.
Vertical: Compensação gravitacional pela distância até o alvo, cada unidade representa 200m.

Precisamente: Ambos teriam de ser utilizadas para que fosse realizado um disparo com perfeita maestria, lembre-se que o Tiger alemão era conhecido pelos engajamentos a longuíssima distância com precisão cirurgia fornecida pelo canhão 8,8cm.

Cálculo:

Antes de tudo é necessário observar quantos mil dots no eixo horizontal o alvo irá ocupar na mira, vamos tomar como exemplo um T-34 russo. 

40 mil dots

OBS: O canhão nunca é contado pelos mil dots.

Note que ele ocupa perfeitamente 40 mil dots, 20 a esquerda e 20 a direita. Sabendo disso deve-se usar a seguinte equação:

D = T / Mil dots

Onde:

  • D = Distância
  • T = Tamanho do alvo em milímetros
  • Mil dots = Quantos mil dots o alvo ocupa na retícula

Já sabemos que nosso T-34 ocupa os 40 mil dots e agora pesquisaremos o comprimento do casco do blindado, que de acordo com nosso especialista PHD MegaPower historiador de blindados russos formado na academia de Duque de Caxias, vulgo Ralmajid, tal medida seria de 6,10 metros. Realizando conversões necessárias: 6,10 m = 6100mm

E agora, de uma vez por todas, o cálculo:

D = T / md
D = 6100 / 40
D = 152,5 metros de distância

Resposta: Nosso T-34 se encontra a arredondados 150 metros do nosso canhão

Sabendo da distância, jogamos no eixo vertical, cada arma tem sua escala, geralmente armas de alta velocidade possuíam uma escala de metros bem perto uma da outra, porém grandes calibres de projéteis pesados, como por exemplo o KV-2, requeriam uma compensação maior.

Difícil de entender? Também achamos... então vamos a outro exemplo, jovens. 

4 mil dots
Aqui estamos nós em frente a um Pz.IIc, ocupando 4 mil dots, 2 para a esquerda e 2 para a direita. Cálculos precisos de nosso departamento de inteligencia muito esperta dizem que o tanque possui 2,3 metros de largura, portanto 2300mm.

D = T / md 
D = 2300 / 4
D =  575 metros (não tão perto dessa vez, hein!)

Sabendo que o eixo vertical tem uma compensação de 200m por unidade, miramos de maneira a acertar o alvo. utilizando quase 3 unidades.
3 unidades = 600m
Acerto direto

Mesma receita, nações diferentes:

Toda nação utilizava uma retícula diferente, e algumas traziam o eixo vertical de diferentes maneiras tudo isso de acordo com a munição carregada : AP / APCR / HE.

Mira de um canhão 17 pdr britânico - Note as escalas para APC e HE. enquanto no outro lado existe a escala MG, para a metralhadora coaxial.

Retícula de um T-34 Russo, a esquerda a escala para munição AP, a direita munição HE e por último para a metralhadora coaxial.
Os mil dots são utilizados não só em tanques, mas também binóculos e miras telescópicas para Atiradores de Elite em geral. As retículas e fórmulas foram um dos métodos eficientes, simples e confiável para a época e é usado até hoje em caso de pane elétrica em sistemas de armamentos dos blindados modernos.

Isso é tudo senhores, agora já sabem mirar e atirar... só falta o tanque :)

#ThirdShotCharm

19 de outubro de 2015

Zoeira na História: Russia contra os Grandes Felinos alemães.

Nada como estragar o dia do time inimigo com aquele tirinho de 152mm do SU-152 ou do ISU-152. Toda vez que uso um dos dois vem a minha cabeça como foi a concepção desses "monstros" e de que quanto dano ele realmente foi capaz de fazer.

Já de cara vi que a concepção dessas duas máquinas estavam diretamente ligadas a introdução dos Grandes Felinos alemães (Tiger/Panther) na frente Russa. O que mais impressionou foi a boa e velha tradição dos russos quanto a praticidade. Pra que perder tempo criando algo que já existe e é comprovadamente eficaz?

Se é bom para concreto, deve ser ótimo para aço!

Em 1937 o Exército Vermelho começou os testes de um canhão concebido para lidar com bunkers de concreto e posições inimigas com sua alta carga explosiva maciça. O ML20-Obus era a resposta a essa demanda e foi equipado nas peças de artilharia rebocada. Entre 1937 à 1946 foram produzidos mais de 6,884 desses equipamentos.

ML20-Obus



E tão logo a Alemanha colocou na Frente Oriental o Tiger e Panther, O comando do Exército Vermelho decidiu que precisaria de uma abordagem semelhante ao que a Inglaterra fez com o encouraçado Bismark. Eliminação imediata! Para isso precisariam desenvolver uma arma desse conta da blindagem de 100mm. Pra quê desenvolver? Coloque o  ótimo canhão ML20-Obus, já testado a exaustão contra bunkers, sobre um chassi KV e tudo estará resolvido! Nascia o SU-152.


SU-152 abandonado, sendo inspecionado pelo Exército Alemão


Tanto bate até que fura

O caça-tanques SU-152 foi produzido entre fevereiro a dezembro de 1943 e totalizou 671 veículos usados no campo de batalha. Já nos primeiros testes o ML20-Obus demonstrou que além do seu objetivo principal, destruir bunkers, a arma de 152mm era devastadora contra as blindagens alemãs. Em um dos testes realizados com tanques capturados, a placa frontal superior de um Panther não era páreo para o enorme dano da munição AP de 152 milímetros. Mesmo o Ferdinand não pode suportar o poder de fogo do ML-20. Em alguns testes, a 152 milímetros AP consegue arrancar metade da placa frontal e a trajetória do tiro continua até atravessar todo o tanque.

Arquivos Russos: Foto nº 37: Frente do Panther: “Ricochete” de disparo direto com AP de 152 na blindagem com dano de 360x470mm a uma distância de 1.200m

Foto nº 38: Torre do Panther: Disparo direto a 1.200m com munição HE. Dano de 350x370mm. A explosão da munição HE abriu dois buracos na torre, de entrada e de saída
Foto nº 41 e 42 mostra a Ferdinand antes e depois do disparo com o ML-20.

 




Foto nº 9: Placa frontal inferior do TigerII: Disparo a 100m com munição AP
Resultado: Penetração e rompimento de solda.

Foto nº 14: Mesma placa frontal inferior do TigerII mas mostrando o outro lado da placa.

O King perde a coroa
Nem o sucessor do Tiger, o Tiger II (King Tiger) teve chance contra o ML20-Obus. Com o decorrer da guerra a Alemanha não foi tão cuidadosa na produção das peças do Tiger II, criando uma blindagem de má qualidade. O resultado dos testes com o Tiger II mostra essa deficiência de forma clara ao evidenciar a separação de peças. Tiros ao lado da torre do Tiger II eram tão eficazes quanto em outras partes, sendo que a munição 152mm AP conseguia penetrar na entrada e na saída.











 




















Mais assustador do que nunca

Testes com ML20-Obus carregados com munição HE mostraram que essa munição era muito mais eficaz. De quebra poderiam usar o mesmo veículo para dois propósitos: Destruir bunkers e danificar tanques. E como danificou. Tanto que as munições 152mm HE acabaram assumindo o papel de munição padrão e, no decorrer da guerra, raramente foram usadas munições AP em canhões ML20-Obus. O impacto do uso de munições HE de 152mm causou uma campanha muito eficaz contra a moral alemã, que apelidaram todos os canhões de 152mm de "Dosenöffner" (abridor de lata) e difundido pelos russos como "Zveroboy" (matador de bestas).

King Tiger não foi páreo para o 152mmAP


Melhorando o que já é bom

Devido ao término da produção dos KV-1, a falta do chassi KV trouxe o desenvolvimento de uma nova máquina. Sob o chassi IS, o mesmo canhão ML20-Obus renasce como o ISU-152 e logo se torna uma lenda. o ISU-152 teve 4.635 veículos construídos entre novembro de 1943 a junho de 1945. Posteriormente o canhão ML20-Obus é substituído por outros modelos até a chegada do lendário 152 mm BL-10, alcançando seu ápice com um alcance total de tiro de mais de 19km, munições com 48,5kg e velocidade de saída de 880 m/s. Posteriormente, com o fim da guerra, o canhão ML20-Obus volta a cena sob um chassi de IS3 e a designação de protótipo Object 704, aprovado pelo Exército Vermelho mas sem uso em batalha até os dias de hoje. 



ISU-152



Qapla'

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